Teve contato com águas das enchentes? Atenção.

23 de maio de 2024
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As enchentes, além de causar transtornos diversos durante sua ocorrência, também aumentam o risco de transmissão de doenças, como a leptospirose, tétano, hepatite A e doenças diarreicas agudas entre outros. Conheça os sintomas e cuidados.

Com as enchentes e alagamentos ocorridos nas cidades gaúchas nos últimos dias, e como a grande maioria dos colaboradores Dana e seus familiares são moradores da região sul, é importante destacar os cuidados que a população deve ter no contato com a água, seja para transpor áreas alagadas, realizar a limpeza dos imóveis que foram invadidos pelas enchentes e até mesmo no consumo de água.

A adoção de alguns cuidados básicos e simples ajuda a evitar a contaminação por doenças como leptospirose, hepatite A, cólera, tétano acidental, entre outras, além de orientar sobre alguns procedimentos para a limpeza dos imóveis, inclusive áreas abertas próximas, como jardins, garages, calçadas e ruas, e as precauções no consumo de água e alimentos.

É importante evitar transitar em áreas alagadas, embora em algumas situações seja inevitável. Como as inundações trazem águas contaminadas por lixo, urina e fezes de animais e outros detritos, há uma grande probabilidade de que essas águas sejam portadoras de vírus de diversas doenças. 

Uma das mais comuns é a leptospirose.  Ela é transmitida pela urina do rato e acontece pelo contato com água ou lama contaminada. Ao ocorrer uma enchente a água invade galerias, lixões, terrenos baldios e esgotos, pontos onde os ratos fazem suas tocas. Ao entrar em contato com a água que invade residências, empresas ou ruas, o vírus entra em contato com a pele, as mucosas ou se instala em alimentos, líquidos e medicamentos, que contaminados transmitem a leptospirose para o ser humano.

Essas áreas alagadas e a lama que invadir as casas podem ser portadoras de outros vírus, bactérias e parasitas e provocar doenças como: cólera, dengue, febre tifoide e paratifoide, hepatites A e E, amebíase, giardíase, gastroenterite e outras infecções gastrointestinais.

A forma de prevenção é evitar ter contato com os pontos alagados, mas se a situação exigir, usar sempre botas e luvas de borracha para evitar o contato da pele com água e lama contaminadas.  Em casos de emergência é possível improvisar e usar sacos plásticos duplos amarrados nas mãos e nos pés e descartar esse material com cuidado após o uso.

Mesmo após as águas baixarem quando for necessário retirar a lama e desinfetar o local sempre use proteções, evitando o contato direto com a pele e mucosas.

Se a pessoa apresentar febre, dor de cabeça e dores no corpo até 40 dias depois de ter entrado em contato com as águas de enchente ou esgoto, procure imediatamente uma unidade de saúde e não se esqueça de contar ao médico o seu contato com água ou lama de enchente.

Outro risco do contato com os entulhos e os destroços arrastados pelas águas da inundação é acontecer um corte, arranhão ou outra lesão na pele. Esse ferimento pode ser a origem de um tétano acidental.

A doença é causada por uma bactéria que pode estar presente em objetos de metal (enferrujados ou não), madeira, vidro ou mesmo no solo (pregos, latas, ferramentas agrícolas, cacos de vidro, galho de árvore, espinhos, pedaços de móveis e outros).

Nunca ingerir água de torneiras, caixas d´água após após situações de desastres. Essa água pode ter sido contaminada pelas enchentes e conter microrganismos causadores de doenças como as citadas anteriormente.

A população de áreas atingidas deve priorizar o consumo de água mineral quando não houver possibilidade de adotar os procedimentos abaixo:

Filtre a água utilizando filtro doméstico. Caso não seja possível, utilizar coador de papel ou pano limpo.

Na impossibilidade de filtrar ou coar, reserve ou coloque a água em um vasilhame limpo e deixe a sujeira decantar (descer até o fundo do vasilhame) até que a água fique transparente. Em seguida, separe com cuidado a água limpa, coloque em outra vasilha limpa e realize a desinfecção com água sanitária (solução de hipoclorito de sódio a 2,5%).

Coloque duas gotas de água sanitária para um litro de água para inativação/eliminação de microrganismos que causam doenças.

Aguarde 30 minutos para beber a água, tempo necessário para o hipoclorito eliminar os microrganismos presentes na água.

Na falta de água sanitária (hipoclorito de sódio a 2,5%), filtre a água utilizando filtro doméstico, coador de papel ou pano limpo e ferva-a durante 5 minutos. Marque os 5 minutos, após o início da fervura/ebulição.

Caso observe alguma alteração na água da torneira (como odor e/ou coloração diferente do habitual) entre em contato com a empresa de saneamento responsável pela distribuição da água e/ou a secretaria de saúde do seu município.

Da mesma forma, não devemos consumir os alimentos (embalados ou in natura) que tiveram contato com às águas de enchentes. Após uma enchente ou inundação é possível que os alimentos não estejam em condições adequadas para consumo, além do risco de estarem contaminados e causarem diarreias, vômitos, febre e, em casos mais graves, levar à morte.

Caso a caixa d´água ou o sistema de abastecimento de água tenham sido atingidos, como é o caso das enchentes ocorridas nas cidades gaúchas, siga as orientações da Secretaria Estadual de Saúde descritas a seguir:

10 passos para a limpeza e desinfecção da caixa d’água caso o sistema de abastecimento de água ou a caixa d’água tenham sido afetados:

1. Feche o registro e esvazie a caixa d’água, abrindo as torneiras e dando descargas.

2. Quando a caixa estiver quase vazia, feche a saída e utilize a água que restou para a limpeza da caixa e para que a sujeira não desça pelo cano.

3. Esfregue as paredes e o fundo da caixa utilizando panos e escova macia ou esponja. Nunca use sabão, detergente ou outros produtos. Deve-se utilizar luvas e botas de borracha para realização dessa atividade.

4. Retire a água suja que restou da limpeza, usando balde e panos, deixando a caixa totalmente limpa.

5. Deixe entrar água na caixa até encher e acrescente um 1 litro de água sanitária para cada 1.000 litros de água.

6. Aguarde por duas horas para desinfecção do reservatório.

7. Esvazie a caixa. Essa água servirá para limpeza e desinfecção das canalizações, chão e paredes.

8. Tampe a caixa d’água para que não entrem pequenos animais ou insetos.

9. Anote a data da limpeza do lado de fora da caixa.

10. Finalmente abra a entrada de água.

Cuide-se e previna-se. Sua saúde é o único bem que não pode ser substituído.