Programa de saúde Dana: foco nas pessoas, não na doença

11 de setembro de 2020

Reformulado em 2012, com a criação do Comitê de Saúde Multidisciplinar, a Danamed, sistema de saúde adotado pela Dana para atender seus colaboradores e dependentes, é um modelo pioneiro e inovador, onde a principal preocupação é zelar pelo bem estar das pessoas que integram a empresa

Para apresentar os projetos e desafios para a todos na Dana com relação aos programas de saúde e qualidade de vida dos mais de 3.000 profissionais que trabalham nas unidades da empresa nas cidades de Gravataí (RS), Campinas, Jundiaí e Sorocaba (SP), nesta primeira edição do seu Danamed Comunica fomos conhecer em detalhes as ações em andamento implementadas pelo Comitê de Saúde Multidisciplinar, conversando com um dos profissionais a frente deste trabalho, o médico Paulo Geraldo Sieczkowski, gestor da Danamed desde 1998.

Formado em medicina pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) e MBA em Gestão Empresarial pela PUC-RS, Dr. Paulo está na área de saúde da Dana desde 1989 e tem profundo conhecimento dos riscos ocupacionais e das ações preventivas, com passagens nas áreas de saúde de empresas como GM, Braskem, Pirelli e GKN, entre outras.

Dr. Paulo Geraldo Sieczkowski, gestor do Danamed

Dr. Paulo é integrante do Comitê de Saúde Multidisciplinar e coordenador técnico do sistema Danamed, além de responsável pelo controle dos casos de alta complexidade junto com equipe de monitoramento e da clínica de referência da Dana.

Danamed Comunica – Como foi o processo de implantação do Programa?

Dr. Paulo Geraldo Sieczkowski – Tudo iniciou pela necessidade de termos um maior acompanhamento dos casos que acabavam ficando perdidos na rede credenciada, sem uma interação do médico-assistente com a mantenedora do sistema, no caso a Dana. Tínhamos uma necessidade de começar a ver os pacientes de maneira integral, trabalhar mais na prevenção primaria e impedir o agravamento dos casos existentes. A primeira providência foi nos aproximarmos dos funcionários afastados por longos períodos e assim garantir que os pacientes tivessem efetivamente um atendimento integral da sua saúde e não somente foco na doença.

O atendimento Danamed hoje é multidisciplinar, correto? Quantos profissionais estão envolvidos hoje diretamente no Programa e qual o papel de cada um destes?

Dr. Paulo – Temos equipe diretamente dentro do ambulatório que envolve médicos clínicos e do trabalho, médicos fisiatras, otorrinos, nutricionistas, dentistas, fisioterapeutas e fonoaudiólogas. Além dos profissionais do monitoramento e clínica de referência, formados por enfermeiros e enfermeiras, médicos internistas (todos também com alguma outra especialização). São mais de trinta profissionais envolvidos

Como acontece a interação entre estes profissionais?

Dr. Paulo – Para os familiares e empregados tratados na rede credenciada existe uma coordenação da equipe de monitoramento e uma coordenação da equipe da clínica de referência. Compartilhamos as situações que demandam uma atenção mais dedicada por meio eletrônico e através de discussão dos casos em reuniões técnicas. No ambulatório temos a coordenadora da MT, que faz o papel de integração da equipe, com reuniões periódicas para apresentação de resultados. Os casos pontuais vão sendo discutidos e tratados conforme demanda, pois são relacionados somente aos empregados.

Como os colaboradores receberam esta inovação e qual a principal dificuldade em sua implantação?

Dr. Paulo – O processo de implantação foi lento e começamos pelos casos mais complexos de pacientes oncológicos, afastados de longa data e aposentados por invalidez.

Estes pacientes acabam se afastando da empresa e ficam envolvidos com sua própria doença. Descobrimos que a quase totalidade compartilhava uma sensação de abandono. Como era uma estratégia nova, as pessoas estranhavam ligações periódicas, necessidade de avaliação com outro médico que não era o seu médico assistente. Apesar de ser um paradoxo, estranhavam consultas com uma hora de duração, exame físico detalhado e registro histórico de todos os exames já realizados. As pessoas não estavam mais acostumadas com isto. A medicina perdeu muito da sua pessoalidade. Quando encontravam um medico com uma excelente formação técnica e ao mesmo tempo atencioso e dedicado, chegava a dar um estranhamento.

Como está o Programa hoje e qual a percepção dos colaboradores e da empresa?

Dr. Paulo – Com o tempo ganhamos confiança das pessoas e hoje a busca pela clínica é espontânea e os pacientes não estranham mais os contatos da equipe de monitoramento. Se sentem acolhidos por profissionais á disposição durante 24 horas por dia. Hoje temos em torno de 250 famílias acompanhadas na região da fábrica de Gravataí (RS), 80 na região de Jundiaí e Campinas e 24 em Sorocaba (SP). Com os colaboradores da região sul o sistema já está amadurecido. O desafio está sendo em São Paulo. Cativar as pessoas em tempos de pandemia, onde todos estão com medo, tem sido uma experiência interessante e desafiadora.

Dr. Paulo com equipe do Programa de Gestão dos Riscos Ergonômicos Dana, Fabrício Queiroz, Dr. Paulo, Fernando Silva, Jonas Wecker e Paulo Loureiro (foto feita antes da pandemia).

Quais as principais Campanhas em curso no momento?

Dr. Paulo – No momento o foco tem sido voltado para os eventos da pandemia, incrementos dos contatos com as famílias das unidades de São Paulo e manutenção dos casos mais graves. Vamos ter que nos reinventar. Visitas domiciliares como eram feitas aqui no Sul não serão possíveis de continuar a serem feitas, pelo menos por enquanto. Estamos investindo na implantação de telemedicina, que tem tido boa aceitação pelos beneficiários. Ainda é um projeto embrionário. Muita gente tinha esta ideia, mas a pandemia pegou todos de surpresa e nenhuma estrutura estava preparada com sistemas robustos, seguros e confiáveis. E mesmo pelo lado dos pacientes temos muita dificuldade em função das conexões e disponibilidade de internet nas casas.

Além dos programas em andamento, como Programa de Monitoramento e Gerenciamento de Pacientes Crônicos e das campanhas de vacinação e orientação de hábitos saudáveis, quais os próximos projetos de saúde a serem implantados?

Dr. Paulo – Hoje nosso foco principal é a extensão do sistema de Gestão de Saude Danamed para todo o Brasil, além de identificação de uma clínica de referência para os funcionários das unidades paulistas de Jundiaí, Campinas e Sorocaba. Queremos parceiros que possam assumir uma lógica de cuidado nos mesmos moldes que temos em Gravataí (RS). Nesse sentido, nossa maior dificuldade é encontrar profissionais alinhados com o conceito.

Com a visão holística que o senhor tem de saúde e a experiência de quase 40 anos como médico e especialista na área de saúde e gestão de programas de qualidade de vida e bem estar em empresas, como avalia o programa Danamed?

Dr. Paulo – A Dana sempre apoiou as iniciativas da área da saúde. Existe um respeito e confiança que foram conquistados ao longo dos anos pela seriedade que sempre se imprimiu ao trabalho. Nada seria possível se a alta direção não enxergasse estas ações como um valor da empresa. Sabem que temos preocupação com a manutenção do sistema como um todo, inclusive do ponto de vista financeiro que não pode ser descuidado para que não se torne um programa inviável.

Os custos com saúde estão numa crescente astronômica em nível global, mas de maneira mais preocupante no Brasil.  Compartilhamos junto com outros gestores de saúde a grande preocupação da assistência ficar inviável a médio prazo. Se todos os participantes, desde gestores, profissionais da saúde, indústria e os próprios pacientes não se preocuparem, logo não haverá mais como custear o sistema e todos vão perder.

Por isto a importância cada vez maior de se investir em prevenção e mudança de hábitos, esclarecer os pacientes, para que questionem e cobrem dos profissionais uma atenção voltada ao resultado na saúde e um atendimento agregador de valor.

Por isso a Dana foca na prevenção e no acompanhamento da saúde do colaborador. Um atendimento humanizado e permanente, feito por pessoas que se preocupam com pessoas. Ou como dizemos na Dana: nossa gente cuidando da gente!

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