Diga não para a automedicação: remédio também pode fazer mal

14 de dezembro de 2020

Um simples analgésico, quando tomado em excesso e sem orientação médica ou farmacêutica, pode causar desde reações alérgicas até problemas mais graves e até impedir um diagnóstico correto do profissional de saúde. Conheça os riscos da automedicação:

Quando a dor de cabeça chega, logo procuramos um remédio para aliviar o mal-estar, não é mesmo? Pode parecer um gesto simples e sem grandes problemas, mas a automedicação pode desencadear consequências graves para saúde e, portanto, deve ser evitada.

Na maioria dos casos, as pessoas conservam em suas casas vários medicamentos, como se fosse uma pequena farmácia. O risco da permanência de medicamentos em casa está no fato de que pode ocorrer ingestão acidental por crianças, além de o armazenamento poder diminuir a eficiência do produto.

O armazenamento inadequado, como a exposição a temperaturas altas ou à umidade, pode fazer com que o medicamento perca completamente sua eficácia ou cause outros efeitos em razão da alteração de suas propriedades. Além disso, muitas pessoas armazenam remédios por um período de tempo superior ao prazo de validade e acabam fazendo uso de medicamentos vencidos.

O que é a automedicação?
Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a automedicação é “a utilização de medicamentos por conta própria ou por indicação de pessoas não habilitadas, para tratamento de doenças cujos sintomas são percebidos pelo usuário, sem a avaliação prévia de um profissional de saúde (médico ou odontólogo).” A automedicação diz respeito, portanto, ao uso de medicamentos sem prescrição de um profissional habilitado.

Não é incomum as consultas ao “Dr. Google”, com pesquisas na internet sobre medicamentos e existem até alguns “médicos autodidatas da internet” que não contentes em se auto receitar, prescrevem medicamentos pelas redes sociais a amigos, familiares ou outros desavisados.

O uso de medicamentos sem prescrição médica pode causar diversos problemas, sendo o mais comum deles a intoxicação. De acordo com a Anvisa, os medicamentos que mais causam intoxicação são os analgésicos, antitérmicos e anti-inflamatórios. A falta de conhecimento a respeito de um medicamento também pode levar ao uso de substâncias que causam alergia. Algumas reações alérgicas podem ser graves e desencadear até mesmo a morte.

Além desse problema, o uso de medicamentos por conta própria pode causar uma melhora falsa nos sintomas. Isso significa que, apesar de aliviar os problemas imediatos, o medicamento pode apenas mascarar a doença, causando um agravamento no caso e dificultando um diagnóstico por parte dos profissionais da área.

Essa prática condenável aumenta o risco de potencializar a resistência de bactérias ao uso de antibióticos e eventos adversos relacionados a dificuldades de monitoramento de doenças chamadas de “silenciosas”, como colesterol, hipertensão e diabetes.

Não é recomendável guardar remédios. Eles podem deteriorar sua composição e todo medicamento tem prazo de validade

Combinação de risco
Outro risco é a combinação de medicamentos. Muitas pessoas não sabem que um remédio pode anular o efeito de outro ou que a associação dos componentes dos dois remédios pode ser um risco para a saúde e acabam fazendo combinações inadequadas que podem ocasionar problemas cada vez maiores.

O problema é tão grave que o Ministério da Saúde, apenas nos últimos anos, registrou mais de 60 mil internações por automedicação.

Segundo pesquisa recente e publicada pelo jornal Folha de São Paulo, a automedicação é praticada por 76,4% dos brasileiros. A mesma pesquisa apontou que 32% dos pacientes têm o hábito de aumentar as doses prescritas por médicos para potencializar os efeitos terapêuticos.

Outros dados da pesquisa são: homens e mulheres se automedicam na mesma proporção, sendo que o público com idade entre 25 e 40 anos é a faixa etária que mais consome medicamentos por conta própria. Outra informação extraída da pesquisa é que quanto maior a escolaridade e a renda, maior é a incidência do problema.

O estudo demonstra ainda que os medicamentos mais autoconsumidos pertencem às classes dos ansiolíticos, dos antidepressivos, dos anti-inflamatórios e dos antigripais.

As recomendações são bastante simples:

  • Não use remédios sem orientação do médico, farmacêutico ou dentista.
  • Remédio também tem prazo de validade e forma correta de armazenamento.
  • Não deixe medicamentos ao alcance de crianças.
  • Nunca faça utilização de medicamento em doses acima das indicadas.
  • Observe sempre a forma recomendada na receita para administração do medicamento.
  • Não utilize o remédio para fins não indicados. Isso pode transformar um inofensivo remédio em uma substância tóxica perigosa.
  • No caso de eventuais dúvidas na utilização de um medicamento, consulte sempre um profissional da saúde.

Como dizia Paracelso, médico e físico do século 16, “a diferença entre o remédio e o veneno é a dose” – consulte sempre um profissional. 

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