Alzheimer: vamos falar sobre essa doença sem medo e preconceitos?

21 de fevereiro de 2024
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Doença neurovegetativa que interfere nas funções cognitivas e nas relações sociais e familiares, o Mal de Alzheimer virou um fantasma que assombra a todos e ainda é pouco discutido e conhecido.

A cada mês abordamos a cor referente à campanha definida para promover os chamados meses de conscientização de algumas doenças. O mês de fevereiro é marcado por duas campanhas fundamentais: o Fevereiro Laranja e Roxo. A primeira cor busca conscientizar a população sobre a leucemia e a segunda lança luz sobre doenças como o Alzheimer, a fibromialgia e o lúpus, doenças para as quais ainda não se tem uma cura, mas há cuidado e tratamento qualificado no Sistema Único de Saúde (SUS).

Neste mês optamos por concentrar apenas em uma doença, o Alzheimer, que, embora seja o foco da campanha no mês de setembro, julgamos ser importante aumentar a conscientização sobre a doença e desafiar o estigma em torno da demência.

No Brasil, cerca de 1,2 milhão de pessoas vivem com alguma forma de demência e 100 mil novos casos são diagnosticados por ano. Em todo o mundo, esse número chega a 50 milhões de pessoas. Segundo estimativas da Alzheimer’s Disease International, os números poderão chegar a 74,7 milhões em 2030 e a 131,5 milhões em 2050, devido ao envelhecimento da população. Esse cenário mostra que a doença caracteriza uma crise global de saúde que deve ser enfrentada.

Embora ninguém queira pensar na possibilidade, o Alzheimer é um problema de saúde sobre o qual se tem poucas informações e, a princípio, qualquer ser humano pode ser candidato a desenvolver essa condição.

Ela é uma doença neurodegenerativa, progressiva e ainda sem cura que afeta, majoritariamente, pessoas acima de 65 anos de idade, impactando a memória, a linguagem e a percepção do mundo, o que provoca alterações no comportamento, na personalidade e no humor do paciente.

A causa é desconhecida, mas acredita-se que seja geneticamente determinada. A doença instala-se quando o processamento de certas proteínas do sistema nervoso central começa a dar errado. Surgem, então, fragmentos de proteínas mal cortadas, tóxicas, dentro dos neurônios e nos espaços que existem entre eles.

Segundo estudos, o risco de uma pessoa de 65 anos de idade que não tenha familiares com histórico de Alzheimer ao longo da vida é de mais ou menos 10-15%. Já uma pessoa que tem um pai ou mãe com Alzheimer tem um risco aumentado para cerca de 20-30%.

A doença é progressiva e os sintomas podem ser divididos em três fases:

Leve: falhas de memória e esquecimentos constantes; dificuldades em realizar tarefas complexas (como cuidar das finanças).

Moderada: o paciente necessita de ajuda para realizar tarefas simples, como se vestir.

Avançada: o paciente necessita de auxílio para realizar qualquer atividade, como comer, tomar banho e cuidar da higiene.

A perda de memória é um dos primeiros sintomas de Alzheimer. É comum esquecer nomes conhecidos, datas importantes como aniversários e até mesmo conversas recentes. À medida que o Alzheimer progride, o paciente desenvolve um grave comprometimento da memória e perde a capacidade de realizar tarefas cotidianas.

Outros sinais de alerta para o Alzheimer são:

  • Problema de memória que chega a afetar as atividades e o trabalho.
  • Dificuldade para realizar tarefas habituais.
  • Dificuldade para comunicar-se.
  • Desorientação no tempo e no espaço.
  • Diminuição da capacidade de juízo e de crítica.
  • Dificuldade de raciocínio.
  • Colocar coisas no lugar errado, muito frequentemente.
  • Alterações frequentes do humor e do comportamento.
  • Mudanças na personalidade.
  • Perda da iniciativa para fazer as coisas.

Apesar de não haver cura para a doença de Alzheimer, existem opções de tratamento: medicamentos (disponíveis nas farmácias do SUS), reabilitação cognitiva, terapia ocupacional, controle de pressão alta, diabetes e colesterol, além de atividade física regular, atividades que podem ajudar a manter a qualidade de vida por mais tempo.

A Doença de Alzheimer ainda não possui uma forma de prevenção específica, no entanto os médicos acreditam que manter a cabeça ativa e uma boa vida social, combinadas a bons hábitos de saúde, pode retardar ou até mesmo inibir a manifestação da doença.

Algumas recomendações são:

  • Manter uma vida ativa e com objetivos.
  • Praticar atividade física regular por pelo menos por 150 minutos por semana.
  • Controlar os fatores de risco cardiovascular, como hipertensão e diabetes.
  • Procurar estudar e adquirir conhecimento.
  • Trabalhar sua capacidade de concentração.
  • Alimentar-se com qualidade e dormir bem.

É importante cuidar-se hoje, para não vir a terem que cuidar de você amanhã. Afinal, enquanto não se descobre a cura ou a vacina para prevenir, temos que discutir o Alzheimer sem preconceitos e sem medos.